16 de julho de 2025

Estrada Real - Caminho dos Diamantes

 Domingo! Um dia estranho pra iniciar uma viagem, ainda mais uma viagem de vários dias, mas eu gosto do inusitado, dos lugares pitorescos, do que sai do óbvio. Claro que as vezes as circunstâncias fogem à regra.... Era 28 de fevereiro de 2021 e meu objetivo: Fazer de moto a Estrada Real - Caminho dos Diamantes e para conseguir iniciar esse feito o ponto de partida pra minha aventura era a cidade de Diamantina-MG, porém, todos nós, viajantes de moto, bicicleta ou a pé sabemos que a peripécia começa mesmo, quando saímos de casa.

 

         E quanto mais eu me aproximava do meu objetivo, a cidade de Diamantina, mais me envolvia pelo caminho: igrejas, casarios, estações, pontes, estradas, povoados, histórias... tudo isso me deixava mais perto e mais longe de chegar na cidade inicial da Estrada Real.

                    Um trajeto que geralmente é realizado em 04 horas foi vencido por incríveis 12 horas de aventuranças, descobrindo lugares antes nunca pensado ou imaginados como o "Caminho de Rosa" (Caminho que homenageia Guimaraes Rosa) pequeno distrito de Andrequicé que possui a última residência do personagem Manuelzão, tropeiro retratado pelo autor nos seus contos,  
a Trilha Verde Maria Fumaça (antigo ramal ferroviário que ligava Diamantina a Corinto) e q hoje deu lugar a uma uma rota turística.

 

Capela Nossa Senhora Imaculada Conceição e São Sebastião -
Canoeiros - São Gonçalo do Abaeté - MG

Casario colonial - Andrequicé - Três Marias - MG

Museu Casa de Manuelzão. Antiga residência do imortal personagem de Guimarães Rosa

  No passado esse caminho foi vencido por vaqueiros e tropas de burros, depois pelos trilhos e dormentes e hoje da lugar a rodovia MG-220 com grande parte do percurso
em estrada de chão. A ferrovia deu lugar aos poucos carros e caminhões de pequeno porte  que passam por ali, o dia todo acho que cruzei por
dois carros foi muito e por aventureiros que fazem a trilha
seja de moto, bicicletas ou trekking admirando as belezas
 da Serra do Espinhaço.

 




 




O trajeto é cansativo mas é gratificante, a cada curva ou desfiladeiro, a cada grota ou a serra registrada, a cada morador que olha com olhar de
curiosidade ou cachorro que abana o rabo e sinal de boas vindas....
O passeio só completa seu dia deixando o coração e a mente ansiosos para o próximo dia, novas descoberta, novas foto, novos perrengues, novas histórias... 


 




  


18 de setembro de 2020

Da Cascata até a Prata - uma caminhada sobre os trilhos

      No último feriado, de 7 de setembro, resolvemos fazer um trekking pelo ramal ferroviário da Bauxita, um trecho entre as cidades de Poços de Caldas, MG e Águas da Prata, SP.
O Ramal de Caldas, nome oficial, foi criado em 1886 e pertenceu a antiga Companhia Mogiana de Estrada de Ferro.
  No entanto, em 1976 os trens de passageiros foram suprimidos, restando apenas o transporte de minério de alumínio, que é carregado na Estação da Bauxita, uma estação antes de Poços de Caldas, daí o nome do ramal, como hoje é conhecido. 


                                                                            

 

                    Nosso ponto de partida foi da Estação Cascata, cujo, povoado é homônimo a estação, dali seguimos os trilhos no sentido à esquerda de quem está parado na plataforma, de embarque e desembarque, do velho edifício. Sentido a Águas da Prata e não sentido a Poços de Caldas...    

             

                                       


     

            Vale ressaltar essa informação, pois a estação não possui nenhuma identificação, e pessoas com pouca experiência no local podem fazer o trajeto inverso. 




            Ao passo que, a velha estação vai ficando para trás, aos poucos, a paisagem vai dando indícios que será um passeio lindíssimo e cheio de surpresas a cada nova curva, o que de fato acontece ao longo de todo percurso. Como estamos descendo a Serra da Mantiqueira, nosso trajeto é todo sobre os trilhos da ferrovia.  


 



     
                          Para situar acerca do trajeto, do lado esquerdo temos toda a encosta e do lado direito um desfiladeiro com um grande mirante, de tirar o folego. Ao longo da descida, somos presenteados com um vista incrível que se divide em fazendas centenárias e o vale paulista.  



                                                                                                                        


Contudo, pude observar algo que me chamou a atenção, a quantidade de pessoas que fazem esse percurso mulheres e homens, adolescentes, adultos e pessoas de mais idade. O que, de fato, concretizou minhas impressões de que o local é agradável a todos. 




                    Foram 15 km descendo a Serra, passando por um túnel, o viaduto do Tajá, que é a cereja do bolo, ainda as ruínas de uma antiga estação e também uma cachoeira, a Cachoeira das Sete Quedas, haja vista o calor, o banho gelado vale muito a pena. 











                                                 No final, chegamos na estação Águas da Prata e não posso negar que os pés de todos integrantes estavam moídos, mas as máquinas fotográficas e os celulares estavam repletos de imagens, a mente plena e o coração todo massageado   cheio de boas recordações. Todo o trajeto é marcado pela beleza, pela diversão, parceria e alegria.

É sem dúvidas, uma celebração à vida e às amizades. 


















A imagens desse post são de @leo19figueiredo, @leite_mg e @andre_gehringer

estiveram também na trilha: @ le_fazzio, @erancoletta, @fravio23, @igoresende86, @efgoyas, @pauloreid. 

Agradecimento especial a @teotonio82

11 de novembro de 2016

CÁRCERE PRIVADO, UMA ESTAÇÃO PRESA NO SEU DESTINO

Um prédio de 1948, patrimônio ferroviário que um dia trouxe e levou riquezas sobre trilhos, hoje está abandonado, incinerado, degradado, mantido em cárcere privado.


Por uma fresta de uma porta fechada com correntes e cadeado, conseguimos espionar seu interior, o vazio é dividido com os destroços do telhado que veio abaixo com o incêndio. Imaginamos seu tempo áureo, cujo local impulsionava o comércio do pequeno povoado, construindo amores e paixões, esperanças e desilusões, num vai e vem da velha Maria-Fumaça.  


    O sentimento agora é de consternação. Se nada for feito de imediato, seu fim será inevitável, e esse belo edifício fará apenas parte do passado e dos livros de história.



      Antigamente, a pequena estação ficava em um local privilegiado, lugar de destaque para os que passavam na estrada de acesso ao interior. Hoje, devido à duplicação da BR, uma grande faixa de terreno estabeleceu entre a estrada e a estação; e, em seus entornos, outros edifícios foram construídos deixando-a cada vez mais isolada. Este afastamento visual, aliado à falta de interesse em preservação, fez com que a degradação se acelerasse. 
       Para os que sabem quem ela existe, basta percorrer a linha férrea que corta o município de Ibaté e que ainda é usada para o transporte de cargas e encontra-la. Para os que não sabem da sua existência, ao vê-la assim, pode causar os mais variados sentimentos, desde indignação à indiferença. 


    
Desde quando passei a fotografar esses locais, sempre ficam as perguntas: Onde isso vai parar? Quem poderia fazer algo para reverter a situação? E se outra função lhe fosse dada? Acredito que as respostas estejam tanto no Poder Público quanto no privado. 



                      Meu papel é o de expor,  denunciar através da fotografia, mostrar que o abandono ali existe.
A quimera seria ver tudo voltar a pulsar, com direito aos trens de passageiros, sem a pressa dos dias atuais, valorizando a cultura, o patrimônio histórico e os antigos hábitos. 


Ainda há tempo para corrigir!


27 de abril de 2014

Igrejinha do pasto de Indianópolis


"A igrejinha do pasto é mal assombrada!" silêncio... "ela não gosta de visitas..." esse foi o comentário de um morador quando perguntamos onde ficava a tal capelinha, uma maneira sábia de afastar certos curiosos e supostos vândalos para assim tentar manter de pé a velha igrejinha.


A cidade de Indianópolis - MG é um dos polos históricos mais importantes do Triangulo Mineiro, originária da aldeia de Santana do Rio das Velhas, foi no passado um local estratégico para a estrada real do Anhanguera. No princípio teve o domínio dos padres jesuítas, depois pelos índios Bororós e por fim pelo homem branco.






Além de prédios históricos como a matriz de Sant'Ana - 1844, 
a igreja de Santa Rita - 1859 a original e 1959 a atual- 
e a Fazenda Registro (onde se cobravam os impostos para coroa), 
lendas e mistérios 
alimentam o imaginário e 
o cotidiano desse charmoso município das minas gerais.



No alto da colina, do velho ponto de paragem dos tropeiros que vinham do oeste, estabeleceu-se um local de devoção. Um cruzeiro-mor fincado donde pedras e latas d'água eram levadas sob as cabeças em sinal de sacrifício.
Pedidos de chuvas para amenizar a estiagem 
do cerrado mineiro.



Como tempo foi erguido ao lado do velho cruzeiro uma singela capela
de construção simples,
com telhado de duas águas e
tijolos de adobe,



no seu interior 
piso elevado com réguas de madeira em dois planos
nos leva à um modesto altar de linhas retas. 
Ele recebe a meia parede uma imagem de rara beleza para a nossa região. 
Uma pintura estilo rococó,
onde a figura principal faz
alusão a Santa Cruz.
Ao seu redor nuvens rebuscada é ladeada por anjinhos. Nas extremidades,
 vasos em flores completa o afresco. Hoje, devido ao passar dos anos, parte da pintura cedeu, mesmo
com a falta de parte da pintura conseguimos contemplar seu valor artístico e histórico.






Na estrada de terra que nos leva ao encontro da igrejinha, depois de uma forte subida,
lavouras de café e soja vão margeando nossa aventura.
Bem no meio da soja em tons verde e amarelo prestes a ser colhida, eis que surge a humilde capela.
De longe ela não chama muita atenção, pode ate passar desapercebida para uns, mas não para nós.
Na parede caiada a tonalidade ganhou ao longo do tempo matizes que se camuflam com
a paisagem, do cruzeiro pouco sobrou.
Apenas uma parte pontiaguda ainda aponta para o céu
como num gesto de clemência.


  
Quanto mais perto vamos chegando mais bela se faz,
porem o tempo e o abandono dá uma noção que se nada for feito logo seu fim 
será trágico.
Todo a sua estrutura está inclinando para o lado, quase que tombando,
como se o vento a convida-se a repousar no chão.



Lá dentro parte do reboco caiu e a pintura mural se desfez restando
apenas parte dos seus traços.
O telhado vai se abrindo em frestas
permitindo que feixe de luz solar entrem e aqueça seu interior.
O silencio é absoluto,
sendo quebrado apenas pelo vento que dança em meio as hastes da soja.



No horizonte uma nuvem carregada vem surgindo como uma forte e abençoada chuva,
algo que nos faz registrar a igrejinha com certa rapidez e nos faz sair dali o mais rápido possível.


Percebemos que nossa anfitriã sempre dá um jeito de expulsar os intrusos,
cumprindo a fama que não gosta de receber visitas, 
onde desconhecidos não são bem vindos!

OBS: Hoje descobrimos que a velha Igrejinha do Pasto, com sua pintura não existe mais.... A falta de cuidado do poder publico, o não incentivo aos proprietários que mesmo tendo o bem tombado, acabam precisando arcar com os custos de conservação, levam a negligência, indiferença e até em alguns casos destruição do patrimônio;