1 de junho de 2012


Coronel Pereira Lima
Ao sol do meio dia, o mormaço tomava conta da paisagem quando
descobrimos que para ser chegar àquela estação bastava pegar uma estrada vicinal que
nascia ou morria logo após os trilhos cruzarem a rodovia.
 Assim que entramos, o caminho de terra batida ia margeando o novo leito ferroviário, não tardou muito
 e avistamos a estação Coronel Pereira Lima – Nova.*
 

A pequena estação jazia sobre o silêncio, quebrado apenas pelo barulho
 dos carros trazido pelo vento. Como a maioria das suas irmãs,encontra-se
renunciada ao descaso, predestinada ao léu podendo quem sabe um dia ter
um novo ofício.
Voltamos à estrada e seguimos em busca da original Cel. Pereira Lima.
Aos poucos o terreno foi se curvando até chegar a pequeno córrego,ao transpô-lo o cheiro das velhas estações vai ficando
 em evidência, dando pistas
 que estamos próximos.
Após uma ligeira curva
que a própria estrada conduz, presenciamos uma mata fechada que devagar
vai expondo partes do antigo prédio.




 Um cachorro ao longe latia incomodado
com nossa presença, nada que
impedisse a vontade de chegar perto
 da majestosa estação deitada
a sombra de eucaliptos novatos.
Ao passo que ia revelando o belo prédio arquitetônico,
uma angustia ia se tomando conta.
 Sujeira, descuido, mau cheiro,
 ócio, breu,
 estrume, lodo, putrefação,
lama, ardência,
 são alguns dos muitos sinônimos
 de desleixo como um prédio que
já foi tão influente para o desenvolvimento local.


O que era galpão de armazém hoje é curral
para o gado da fazenda,
as outras instalações estão jogadas a esmo servindo
de depósito. Porém, mesmo com toda essa falta
 de cuidado a soberba estação tende a manter
sua beleza onipotente.



  Detalhes encobertos pelo tempo,
como as janelas com suas folhas guilhotinas, os guichês onde
 eram adquiridas as passagens,
a velha caixa d’agua de ferro trazida da Inglaterra
datada de “1888”, a “Sala para Senhoras”,
 tudo mantém as características originais.
 A atmosfera ali dentro é sufocante,
 dá vontade de ir embora,
 o ar contaminado te conduz até a plataforma de desembarque
 encoberta pela sombra das arvores tão
próximas.



E nesta hora o desejo era embarcar nos tempos áureos da Cel. Pereira Lima,
 que pelas suas dimensões permite entender o significado da palavra importância.




 Fomos embora, como ela ordenou!

  * Essa nomenclatura ferroviária entre novo e
 antigo foi uma maneira de diferenciar os
trechos desativados e/ou erradicados dos trechos
novos em atividade. Um leito erradicado é um
trecho desativado e sem os trilhos,
 enquanto que trechos desativados
têm os trilhos, mas sem uso.


24 de maio de 2011, 13:18 h.
zona rural de Salles de Oliveira - SP

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