18 de maio de 2011

Senhores Passageios, Próxima Parada: Estação Igarapava.

... seguimos adiante_ a vila que tanto nos encantou ficou para trás , agora o chão que nos espera é longo e imprevisível, o asfalto agitado é nosso leito guiador, passeio condutor para as próximas estações, o sol já ia alto quando adentramos na cidade. Prédios variados vão chamando nossa atenção, alguns singelos modernistas, outros ecléticos exibicionistas, mais um não podia passa desapercebido.


 Faustoso, ficava numa parte elevada do terreno.Sua antiga ocupação: uma cadeia, hoje, palco do tempo, abandonada fica a espreita vendo os passantes na calçada, aguardando talvez um novo ofício.


 Ali_ diante dela, percebemos que esta viagem iria além do leito erradicado da antiga Mogiana, a cada curva um espetáculo, uma surpresa e assim após uma pequena subida lá estava ela, re-ti-li-nea repousando sobre o asfalto quente: Igarapava.


Adormecida, bem conservada, teve suas cores alteradas, atendendo tendências do governo local.


 Ela é substituta de uma outra estação da cidade, um pouco menor, mais velha, chamada Igatí, sabíamos que ela ficava após a linha fazer uma curva em "N", diziam que quando alguém perdia o comboio para Ribeirão Preto, bastava pegar um carro ou charrete e ir até Igati para seguir viagem, no encalço dessas pistas, como dois caçadores de tesouro, seguimos o velho leito. A rua aos poucos foi se estreitando, as casas foram dando lugar a uma encosta coberta de senhoras árvores, no chão pedregulhos da antiga estrada férrea davam vestígios que estávamos no caminho certo.


 A paisagem era linda, a sensação era de estar dentro do vagão, subindo suavemente seu trajeto_ a esquerda árvores sombreavam a passagem, do lado direito um grande vale nos presenteava com belas pastagens de fazendas centenárias. Depois de algumas confusões paramos próximo a um casal que nos mostrou onde ficava a antiga Igatí, dela apenas poucas casas modificadas nem se quer lembra a vila da estação, o grande pátio dá lugar a um condomínio popular, dela, nada! Porém percebemos que a velha estação fica viva na memória das pessoas, que aos poucos vão se abrindo, dividindo suas experiências, contando os seus causos. Os olhos vão se enchendo de brilho, a imaginação floreia, e ao seguirmos viagem para a próxima parada percebemos que ativamos boas lembranças, guardadas em baús empoeirados de algum vagão abandonado dentro de nós mesmos.
Quinta-feira 21 de maio, 12:40 h.

2 comentários:

  1. Meu jovem que viagem!!!! parabéns....

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  2. Cada post está melhor que o anterior. Cada vez mais dá pra ver uma poética perfumando o seu texto. Parabéns de novo.

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